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REGIÕES ITALIANAS
Em uma paisagem agrária, fortemente marcada pelo trabalho do homem, vicejam cidades de grandes tradições históricas, musicais e gastronômicas, ricas de dignidade e de notáveis obras de arte.
A Emilia-Romagna está dividida entre os mundos da planície e da montanha, e esta sua dupla alma é salientada pelo percurso de um eixo rodoviário de fundamental importancia: a romana Via Emilia, que a corta na diagonal. Ao norte, extende-se a margem direita da ampla e fértil planície do rio Pó; ao sul, a cadeia dos Apenínos, alternando doces colinas com íngremes encostas, até afunilar-se em uma sucessão de cumes escarpados tanto a oeste, na divisa com a Ligúria, como a leste, do lado da Romagna; esta, por sua vez, confinando a leste com o longo e baixo areal da costa do mar Adriático.

Habitada desde a antigüidade pelo Lígures e pelos Úmbrios, e depois pelos Etruscos, a região sofreu a invasão dos Galos Boi, que a dominaram em boa parte, até que todas essas populações foram subjugadas pela conquista romana.Entre os Séc. V e VI, nos estertores do império sob as invasões dos bárbaros, a Emilia adquiriu importância graças ao rol de Ravenna, na atual Romagna, como capital do Império Romano de Ocidente e sede dos últimos imperadores na Itália, até a definitiva prevalência do Império Romano de Oriente e da sua capital Bizâncio - que perduraram por quase outros mil anos, até a queda final do império bizantino por mão dos turcos otomanos, em 1453.

Na segunda metade do Séc. VI, os Longobardos tiraram do Esarcato romano-bizantino o domínio dos territórios do oeste, com Reggio E., Parma e Piacenza. Após o ano Mil, desenhou-se uma nova configuração política, pois as cidades franquearam-se aos poucos do poder feudal, substituindo-o por laços com os vários bispados locais. Esta nova dinâmica levou à era das Comunas, que se fortaleceram na primeira metade do Séc. XII. O esgotamento desta experiência, e a deriva para a Signoria (Séc. XIII - XV), causou uma involução tanto política, quanto econômica, pois as famílias principescas, como os D' Este em Ferrara, os Visconti - e depois os Farnese - em Parma e Piacenza, os Malatesta em Rímini, se, por um lado, favoreceram a florescimento das artes, por outro espoliaram seus súditos por meio dos pesados impostos, criando um hiato entre instituções e cidadania, que permanece até hoje como um traço do caráter nacional. No fim do Quinhentos, o Estado da Igreja logrou reconquistar o território de Ferrara, deixando à família D' Este só o ducado de Modena e Reggio. No Setecentos, o ducado de Parma e Piacenza, até então sob os Farnese, passou à regência dos Bourbons e, com o advento de Napoleão, de sua mulher Maria Luisa de Aústria, a qual o mantive mesmo após a Restauração post-napoleônica pelo Congresso de Viena. Em 1860, a Emilia-Romagna, finalmente unificada, passou a fazer parte do Reino da Itália.

Os primeiros aldeamentos de alguma importância remontam à época pré-romana, mas foram os Romanos a incidir mais profundamente no ambiente, fundando novas cidades nos vales, abrindo grandes estradas e dividindo - conforme a sua prática já aplicada em outras regiões como a atual Lombardia - o território em "centúrias", dadas em usufruto aos colonos (em boa parte, os próprios ex-soldados das legiões), que alí se estabeleciam. No início do Séc. V, Ravenna ganhou como dito importância como capital do Império de Ocidente, enriquecendo-se assim de monumentos e obras de arte, como as magníficas basílicas, os batistérios, os mausoléus e, especialmente, os extraordinários mosaicos dourados - depois herdados pelo mundo greco-bizantino-ortodoxo do Império de Oriente. A posterior dominação dos Longobardos, sobrepondo-se à hegemonia romano-bizantina, levou ao fracionamento das propriedades rurais e à descentralização do sistema econômico.

Na Idade Média, os núcleos de agregação urbana foram principalmenteos os castelos e as igrejas paroquiais, sendo que os primeiros surgiram obviamente em locais altos e de difícil acesso, com funções de vigia e de defesa: entre os exemplos mais sugestívos, estão Brugnello Val Trébbia, Rocca di Bardi e Rocca di Lerma. O campo foi por sua vez reorganizado com base em uma rede de paróquias ('pievi'), pequenos centros religiosos também com função de cincunscrições cíveis; além de grandes monastérios das ordens contemplativas, com importância também cultural (Bobbio, Chiaravalle, Nonantola, Pomposa). Ao passo que nos Apeninos, entre os Séc. XII e XIV, surgiram numerosas aldeias nas encostas dos vales. A época das Comunas deu impulso à expansão das cidades, que tiveram ampliadas as muralhas defensivas, criada a infra-estrutura para a vida civil e os comércios, e levantadas novas e representativas construções, como as grandes catedrais românicas (Duomo de Modena e de Parma, e catedrais de Piacenza e de Ferrara), e os palácios comunais. A expansão demográfica resultante deste período de intenso desenvolvimento econômico e social levou ao surgimento de novos povoados nas áreas bonificadas ao redor das grandes cidades. Estes, geralmente com planta retangular e ruas em ortogonal, foram por sua vez cercados por muralhas e acolheram o excedente da população urbana: exemplos dessa fase são Castelfranco, Rubiera, Novi, S. Ilário, Finale, Cento, Reggiolo.

Ao longo do tempo, vieram assim tomando forma diferentes modelos de ocupação urbana:as cidades ducais, como Carpi, Guastalla, Mirándola, que floresceram no período da Renascença e apresentam um prospecto monumental, com grandes praças e palácios; as praças-fortes de origem feudal (difundidas sobretudo na Romagna e no Apenino setentrional), como Vigoleno e Castell' Arquato, aninhadas ao redor de castelos com serrventia eminentemente estratégico-militar; os centros agrícolas da planície, que na região norte se adensam ao redor de importantes nós rodoviários da malha ortogonal das "centurias" romanas (Solarolo, Massa Lombarda, Bagnara, Cotignola), enquanto ao sul estão mais espalhados ao longo dos rios (Villanova, Godo, Bagnarola); os burgos renascentistas, surgidos no Quinhentos em acordo com as novas teorias da perspectiva espacial próprias daquele período, como Cortemaggiore e Terra del Sole (esta, fundada pelos Médici de Florença); as aldeias de pescadores, muito caracterizadas em lugares como Comacchio - ligada aos modelos da vizinha laguna vêneta -, Cérvia e Cesenático; e, finalmente, os povoados rurais em pedra característicos da zona apenínica, construídos com chapas de ardósia sobrepostas sem argamassa (por exemplo, Montecreto, Fanano, Ceresola, Roccaprebalza, Lago).

Apesar da diversidade , na maioria dos centros da Emilia-Romagna é possível encontrar elementos em comum, como a extensa presença de pórticos das mais variadas épocas, devido às necessidades de uma economia agrícolo-comercial; o uso predominante de tijolos em argila, realçando a homogeneidade do conjunto das edificações; e, sobretudo, o grande número de teatros líricos (entre todos, o Teatro Farnese de Parma).
 
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