José Odenir nos brinda com informações sobre mais esta bela obra-prima da arte italiana. Grazie!
Uma das obras mais incríveis da Basílica de São Pedro, em Roma, é o baldaquino construído por Bernini. Situado sobre o túmulo de São Pedro e exatamente sob a majestosa cúpula de Michelângelo, ali é permitido somente ao pontífice celebrar missas.
Gian Lorenzo Bernini tinha apenas 25 anos quando o papa Urbano VIII o encarregou de construir a obra. Nem poderia ser diferente, já que ele era o artista preferido desse papa. Embora já fosse famoso, mesmo jovem, esse trabalho, dadas as suas dimensões, era um desafio para Bernini.
Entre o projeto e a execução foram necessários nove anos de serviço, mas o resultado é um complexo arquitetônico de tal magnitude que projetou ainda mais esse artista.
O baldaquino tem uma planta quadrada. Cada coluna possui em sua extremidade a estátua de um anjo (que foram projetadas por Borromini, futuro desafeto de Bernini - veja a história no link "Fontana dei fiumi" aqui mesmo no Artes e artesanatos). Elas sustentam grandes arcos que sobem em direção ao centro e se unem, formando a base que suporta uma gigantesca cruz. A obra foi inaugurada em 28 de junho de 1633.
Bernini conseguiu unir escultura e arquitetura, criando uma verdadeira alegoria que se inseriu de forma primorosa na imensa basílica. Era uma proposta inovadora e cenográfica de arte.
A grande polêmica gerada pela construção do baldaquino foi a autorização dada por Urbano VIII para que fosse recolhido do Panteon o bronze para a construção da nova obra. Foi nessa época que foi criada a frase "Quod non fecerunt barbari fecerunt Barberini", ou seja, "O que não fizeram os bárbaros fizeram os Barberini". Barberini era o sobrenome do papa Urbano VIII. A indignação do povo romano se baseava na afirmação de que a família Barberini, na ânsia de se promover, gastava muito dinheiro e não se importava em danificar um dos monumentos mais importantes da Roma antiga (veja o link no tema "O incrível Panteon").
É importante salientar que nenhuma fotografia, por mais definição que tenha, consegue mostrar os detalhes que desfrutamos ao ver de perto as minúcias do baldaquim. É simplesmente espetacular poder vislumbrar essa inacreditável obra de arte. Vale chamar a atenção para o detalhe de sua altura (quase trinta metros), uma vez que, devido às dimensões da basílica, tem-se a ilusão que é muito menor. Outra dica: ao visitá-lo contorne e observe por todos os lados. Você vai se surpreender. Um detalhe incrível pode ser observado no pedestal das quatro colunas. Bernini cunhou o brasão da família Barberini oito vezes (nas duas faces externas dos pedestais). Nesse brasão ele inseriu a figura de uma mulher em trabalho de parto, cuja expressão de dor aumenta à medida que se chega ao sétimo brasão. No oitavo, a mulher é substituída por um bebê. Ao se olhar de lado os brasões são convexos, lembrando uma mulher grávida. O último não apresenta essa curvatura. Genial!
Existem algumas teorias sobre o que o teria levado a entalhar ali essa história. Uma delas é que ele teria se apaixonado pela sobrinha do papa e este não permitiu o envolvimento entre os dois. A moça teria engravidado e ele perpetuou a história no mármore. Muitos acham pouco provável, já que Bernini não se atreveria a enfrentar o poder de um pontífice que o admirava como artista e o protegia. Uma outra versão defende que ele comparou a duração do trabalho a um parto (nove anos/nove meses).
É interessante tomar conhecimento desses detalhes admiráveis. Quando se chega perto da obra ela parece mais interessante ainda.
Vale lembrar que o criador do baldaquim é o mesmo que projetou a Praça de São Pedro com suas famosas colunas. Roma deve muito de seu aspecto ao gênio Bernini.